A MÁQUINA & O HOMEM A VIAGEM O HOMEM & A MÁQUINA
Da
tua raça a força nobre, o espírito forte, a temperança, sendo tu o meu abrigo… Contigo
vou por essa estrada
Tua vida
é a minha por esse caminho que se estende por entre curvas e subidas… Tu que
és meu companheiro
Força
que empregamos nessa viagem que diante dos nossos olhos se desenrola… Nessa
estrada abandonada
Alimento
para mim e para ti escola, regressando tu á infância, breve memória… Ligando o ponto de origem
Por
essa linha de alcatrão na qual rolamos sem parar nesse desejo de chegarmos A
esse destino certeiro
Essa terra
abençoada onde procuramos sustento pelo trabalho alcançado Na nossa busca e
vertigem
Estrada que
percorremos onde se escondem os nossos medos que afastamos… As horas passam
devagar
Nossa prece
a São Cristóvão rezamos pedindo essa hora serena porto seguro viagem breve
Contando eu os minutos
Vida que
se desenrola na combustão do teu motor e no meu coração que bate forte… As
rotações a marcar
Da
vida que se desprende antes de adormeceres novamente no descanso do nosso lar…
O motor a trabalhar
Robustez de
coração, uma e outra vez, bate bate coração, sobem cilindros e Pistões
explodindo e bielas
Sustento meu: teu combustível que não paras de sorver e
mais uma vez aquelas Faíscas, combustões e velas
Para que
não pares nunca nunca nesses caminhos da sorte onde impera essa morte
Mudanças e íngremes descidas
A tua
vida é a minha e os meus braços são os teus, por esses caminhos nossos,
distantes… E do teu rugir a tua força
Família que somos, comes comigo à mesa, partilhando o
alimento esse sustento De que dependem muitas vidas
Constante o
teu motor nesse trabalhar incansável, esse alcatrão, essa força
admirável… Caminhas comigo seguro
És a
minha profissão, és meu passado e futuro és meu ganha-pão és meu porto seguro Sentindo-te
eu pelo volante
Máquina de
força verdadeira e um pouco à minha maneira chamo-te eu companheiro E o teu trabalhar constante
Poder que
tu não revelas pois dentro de ti está guardado o teu coração motor e bielas que
Queima esse carburante
Andante que
tu és e eu sou e por esses caminhos vou alimentando-me de ti com a força Que
nos circula nas veias
Que faz
de ti as minhas pernas com que percorro o mundo e assim És a minha vida o
meu sangue
Rola mais
uma vez por mim abraçando essa estrada nessa escuridão de breu És a minha
força andante
Por ter
a sorte que Deus me deu de te ter por companheiro a ti no mundo inteiro Pois
trabalhamos a meias
Essa é
a nossa condição, eu conduzindo pela estrada, eu homem e tu camião… Tu que
rolas pela estrada fora
Estrada tal como as veias liga-me ao teu coração e assim
serpenteando rolando mundo fora És a minha condição
Fora de
ti apenas homem sou, mas dentro de ti sou máquina, és de uma condição
fantástica De TIR seres camião
Vou hoje
novamente para fora, beijo a família que dorme, e deixo a minha casa em paz…
E eu ser o teu condutor
Hoje e
mais uma vez, faz com que acredite nesse Deus que homens e máquinas fez… Levando-te
eu a bom porto
Mais e
mais uma vez… Procuramos esses abrigos que pelo caminho nos escondem… Onde
descansas e eu também
Uma noite
e outra mais, junto das bombas gasolineiras, paragens certeiras Dormindo
mais uma vez nessa estrada
Vez
à vez e depois mais «estrada» rolando atento depois da bomba passada Que
para alem de alimento é pousada
Embora
esteja eu sozinho, contigo na cabine estou, partilhando meus pensamentos vou… E
assim nós percorremos
Para outros
também alimentar países e mais países que qualquer um desejaria visitar… Quilómetros
mil fazemos
Essa nossa
caminhada mil estradas percorremos e depois… depois nada, voltamos atrás
Para chegarmos ao destino
Terra essa
que não sabia aprende-se mais um dia e logo passa a palavra… Voltando depois
pelo mesmo caminho
Distante parece
a estrada quando não se conhece caminho pois toda a estrada calcamos Que
conhecemos de cor
Mas sempre
aparecem surpresas, às vezes poucas certezas, umas para melhor ou pior… Tu
máquina e eu dizendo
Trago comigo
esse mapa que muda com a FÉ, abre-se um caminho e outro digo: - Vai em
frente ou para a direita
No momento
em que a estrada desfeita se faz novamente ou se volta a traz… Pela
esquerda, passagem estreita
Pensamento poderoso
que constrói o destino fazendo esquecer caminho que se desfaz Pois tu
nasceste ceguinho
Esse cego
que também sou, pedindo-te para que de noite ilumines o caminho por onde vou… Apesar
do teu olhar
Desejo que vejas mais forte nesses caminhos da sorte em
que o teu olhar Que brilha nesse caminho escuro
De noites
cerradas chuvosas de águas torrenciais em que as estradas alagam e tu Dando
luz a esse breu
Ser camionista
Eu e tu um TIR camião… pois é essa a
condição com que nos apresentamos Pois sendo tu cego e eu
Regresso contigo
dessas viagens para ligar esses países com a luz dos teus faróis Para essas
estradas iluminar
E sempre
que volto de novo rezo, rezo uma vez a Deus dizendo: - Obrigado meu senhor… E
se morrermos um dia
Máquina e
eu homem de acidente sem
culpa ou culpa de outros por fim… Nessa
estrada acidentada
Para que
após esta vida passada não termine apenas assim… Só espero ver-te novamente
Te(ndo-te)
por companheiro Nesse paraíso se tivermos sorte
Ver para
onde se vai depois do fim (?) Para onde máquinas e homens vão
Novamente no fim desse
caminho inverso quando todos renascemos (…) Depois da morte (…) (in)-verso!!
Miguel Silvestre
Valinhos - Alte 15/09/2013

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