
Projecto OLEIRO da
(P)alavra - Introdução:
LUX
«(...) E das trevas se fez a luz
E da luz se fez a matéria
E do pó se fez o homem
E da mulher se fez a criança
E era assim…
No princípio dos tempos (...)»
Joseph
Joachim
in «versa»
No princípio era o Verbo. E do verbo se fez (L)uz e da (L)uz
se fez a matéria. Matéria condensada do gás galáctico que se agregou em poeira.
E do pó se fez o barro e do barro se fez o homem. Homem animado de Vida pelo
sopro divino.
Todas as coisas têm um nome, toda a matéria existe no léxico
que usamos diariamente. E se ainda não existe palavra para descrever alguma
coisa, então está na altura de se (re).inventar a palavra.
Da palavra nasceu a mulher e da mulher nasceu a poesia que a
descrevia na sua essência. E a poesia encerra segredos… dentro de si alberga
palavras-chave que abrem as portas do céu e do inferno.
Foram estes os dias da criação em que as trevas e o abismo
foram iluminados pela (L)uz, pelo sopro e chama Divina.
O homem escrevia na solidão do seu abrigo. Encerrado em si
próprio, fechado dentro de si, esperando por um sinal do criador. Até que um
dia a poesia se transformou em barro, se transformou em matéria, moldou-se à
imaginação do homem inspirado por Deus, dobrou-se ao toque e à verdade,
entranhando-se nas mãos do Oleiro.
E o Oleiro pegou nas palavras, moldou-as à sua vontade, aos
seus desejos, ao seu bel-prazer. Pegou nas palavras e brincou com elas,
tornou-as em cântaros, em bilhas, em vasilhas para carregar a água que matava a
sede de se desejar mais e mais palavras.
E assim nasceram outras formas de se fazer poesia. Em uma,
duas, três ou quatro e até mesmo cinco dimensões. Poemas que permitem leituras
inversas, combinadas, bidireccionais. Poemas que escondem segredos de vidas
reais ou ficcionadas. Poemas que dão asas à imaginação, que dão asas a quem
deseja voar mais longe explorando diversas formas possíveis (ou somente
experimentais) de poesia.
Com o Projecto OLEIRO
da (P)alavra pretendo abrir uma colecção reservada neste blogue para a
construção de poemas ao estilo da escrita criativa. Acrósticos simples,
acrósticos compostos, combinados em poemas 3D ou 5D (ou outros ainda não
classificados), de leitura invertida, leitura cruzada, de leitura combinada…
Inspirado na Poesia Labiríntica Barroca perdida no tempo.
Redescobrindo e reinventando a escrita poética. Fazendo nascer novas formas
(originais) de escrever poesia para a qual ainda não existe classificação
actual.
Para que tudo isto seja possível é necessário perder o medo
de inventar, é necessário libertarmo-nos das amarras que nos prendem ao passado
e que nos impedem de ser originais e acima de tudo escrever de uma forma
apaixonada e impulsiva.
O resultado salta à vista e a cada poema que se escreve a
escrita vai-se tornando mais fluída, escorrendo mais facilmente pelas mãos nuas
do poeta que molda as palavras à sua vontade, a seu bel-prazer!!
Exemplo:
A título de exemplo passo a explicar como se lê um poema 3D (a forma original que depois
de concretizada e tão generosamente criticada por um amigo de grande valor
permitiu que tudo o resto viesse a ser criado):
O poema 3D consiste numa criação poética que se divide em 3
partes distintas:
a) A primeira parte é
constituída pelo conjunto da primeira palavra de cada verso (evidenciada a
negrito na vertical). Estas palavras deverão de ser lidas do primeiro ao último
verso. Esta é a parte mais curta do poema.
b) A segunda parte
constitui-se pelo conjunto das últimas palavras de cada verso (também elas
evidenciadas a negrito e também na vertical). À semelhança da alínea anterior
deverão também estas palavras de ser lidas do primeiro ao último verso.
c) Finalmente a
terceira e última parte (a mais longa) é constituída pela totalidade do poema
que deverá ser lido de uma ponta à outra do princípio até ao fim.
O sentido da mensagem varia consoante o tipo de leitura que
se faz e a rima é mantida na quase totalidade nessas três partes distintas
(condição não essências mas apenas por uma preferência estética). Chamo a esta
forma poética Poesia 3D (não sendo
no entanto este nome uma criação minha mas uma classificação de um amigo meu
que sugeriu esta designação após ter tido conhecimento do trabalho que eu havia
desenvolvido com as características acima descritas).
Neste blogue podem ser já encontrados alguns poemas que se
enquadram na descrição feita acima, a destacar ( RESTOS DE NADA, UM SORRISO
SOLAR e SER POETA É: ) e mais
alguns que versam sobre outras temáticas da mais diversa natureza, sejam elas a
pobreza, doença mental, ficção pura ou até mesmo homenagens a pessoas reais
(dedicados a uma pessoa ou família).
Desejo a todos boas leituras…
Miguel Silvestre
(B. H. J. M. D.)
Bondade, Honestidade,
Justiça, Misericórdia e Dignidade…
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