sábado, 31 de janeiro de 2015

Oleiro da (P)alavra - Introdução




Projecto OLEIRO da (P)alavra - Introdução:


LUX


«(...) E das trevas se fez a luz
E da luz se fez a matéria
E do pó se fez o homem
E da mulher se fez a criança
E era assim…
No princípio dos tempos (...)»

Joseph Joachim
in «versa»


No princípio era o Verbo. E do verbo se fez (L)uz e da (L)uz se fez a matéria. Matéria condensada do gás galáctico que se agregou em poeira. E do pó se fez o barro e do barro se fez o homem. Homem animado de Vida pelo sopro divino.

Todas as coisas têm um nome, toda a matéria existe no léxico que usamos diariamente. E se ainda não existe palavra para descrever alguma coisa, então está na altura de se (re).inventar a palavra.

Da palavra nasceu a mulher e da mulher nasceu a poesia que a descrevia na sua essência. E a poesia encerra segredos… dentro de si alberga palavras-chave que abrem as portas do céu e do inferno.

Foram estes os dias da criação em que as trevas e o abismo foram iluminados pela (L)uz, pelo sopro e chama Divina.

O homem escrevia na solidão do seu abrigo. Encerrado em si próprio, fechado dentro de si, esperando por um sinal do criador. Até que um dia a poesia se transformou em barro, se transformou em matéria, moldou-se à imaginação do homem inspirado por Deus, dobrou-se ao toque e à verdade, entranhando-se nas mãos do Oleiro.

E o Oleiro pegou nas palavras, moldou-as à sua vontade, aos seus desejos, ao seu bel-prazer. Pegou nas palavras e brincou com elas, tornou-as em cântaros, em bilhas, em vasilhas para carregar a água que matava a sede de se desejar mais e mais palavras.

E assim nasceram outras formas de se fazer poesia. Em uma, duas, três ou quatro e até mesmo cinco dimensões. Poemas que permitem leituras inversas, combinadas, bidireccionais. Poemas que escondem segredos de vidas reais ou ficcionadas. Poemas que dão asas à imaginação, que dão asas a quem deseja voar mais longe explorando diversas formas possíveis (ou somente experimentais) de poesia.

Com o Projecto OLEIRO da (P)alavra pretendo abrir uma colecção reservada neste blogue para a construção de poemas ao estilo da escrita criativa. Acrósticos simples, acrósticos compostos, combinados em poemas 3D ou 5D (ou outros ainda não classificados), de leitura invertida, leitura cruzada, de leitura combinada…

Inspirado na Poesia Labiríntica Barroca perdida no tempo. Redescobrindo e reinventando a escrita poética. Fazendo nascer novas formas (originais) de escrever poesia para a qual ainda não existe classificação actual.

Para que tudo isto seja possível é necessário perder o medo de inventar, é necessário libertarmo-nos das amarras que nos prendem ao passado e que nos impedem de ser originais e acima de tudo escrever de uma forma apaixonada e impulsiva.

O resultado salta à vista e a cada poema que se escreve a escrita vai-se tornando mais fluída, escorrendo mais facilmente pelas mãos nuas do poeta que molda as palavras à sua vontade, a seu bel-prazer!!

Exemplo:

A título de exemplo passo a explicar como se lê um poema 3D (a forma original que depois de concretizada e tão generosamente criticada por um amigo de grande valor permitiu que tudo o resto viesse a ser criado):

O poema 3D consiste numa criação poética que se divide em 3 partes distintas:

a) A primeira parte é constituída pelo conjunto da primeira palavra de cada verso (evidenciada a negrito na vertical). Estas palavras deverão de ser lidas do primeiro ao último verso. Esta é a parte mais curta do poema.

b) A segunda parte constitui-se pelo conjunto das últimas palavras de cada verso (também elas evidenciadas a negrito e também na vertical). À semelhança da alínea anterior deverão também estas palavras de ser lidas do primeiro ao último verso.

c) Finalmente a terceira e última parte (a mais longa) é constituída pela totalidade do poema que deverá ser lido de uma ponta à outra do princípio até ao fim.

O sentido da mensagem varia consoante o tipo de leitura que se faz e a rima é mantida na quase totalidade nessas três partes distintas (condição não essências mas apenas por uma preferência estética). Chamo a esta forma poética Poesia 3D (não sendo no entanto este nome uma criação minha mas uma classificação de um amigo meu que sugeriu esta designação após ter tido conhecimento do trabalho que eu havia desenvolvido com as características acima descritas).

Neste blogue podem ser já encontrados alguns poemas que se enquadram na descrição feita acima, a destacar ( RESTOS DE NADA, UM SORRISO SOLAR e SER POETA É: ) e mais alguns que versam sobre outras temáticas da mais diversa natureza, sejam elas a pobreza, doença mental, ficção pura ou até mesmo homenagens a pessoas reais (dedicados a uma pessoa ou família).

Desejo a todos boas leituras…
Miguel Silvestre

(B. H. J. M. D.)

Bondade, Honestidade, Justiça, Misericórdia e Dignidade…

«(…) SER POETA (…)» É: I


A FELICIDADE             SER AMANTE DAS PALAVRAS                     A DOR EM MIM


«(…) É   ter o mundo nas mãos e na boca onde Sinto essas palavras vivas… vividas…
Amar-te, assim intensamente chorando lágrimas Que sangram no meu peito aberto deserto
Assim, ter-te longe e tão perto, procurando no peito Abrindo caminho entre as minhas chagas
Perdidamente… nessas fráguas navegando em Que lavo com minhas lágrimas e mágoas
É conter todo esse meu sofrimento num só grito Nesse pranto em carne viva que sangra
Seres do outro mundo que me visitam aflitos e Que me fazem gritar por amor e de dor
Alma pura essa que me salvará da tortura invernal na qual Vivendo já no inferno que queima
E passando outras palavras feitas que amo fazendo-me rir E assim sangro por dentro no fundo
Sangue meu esse derramado pelo mundo e Queimado por esse tormento imundo
E vivido e falado por outras bocas julgado e condenado Que sentimento esse assim tão vil…
Vida que às vezes é madrasta e que de palavras apenas não basta Que me mata bem devagar
Em palavras mil desfeito as quais não deixo de amar e Que me faz morrer em mil fragmentos
Mim(os) esses em que me perco tão etéreo e liberto Para depois me ressuscitar mais mil…
E são essas as palavras que amo as que queimam e Quem ama com essas palavras inflamadas
Dizê-lo assim abertamente custa… confessar… Que pela pena do poeta e mãos fundas
Cantando e chorando ao mesmo tempo assusta Escavam frases e prosas profundas rasgadas
A dizer que não lhes custa mas usando dessa mesma tinta… Com essa tinta de sangue fecunda
Toda a verdade aparece nua pela caneta Que escorre pelas minhas mãos sangradas de poeta
A todos pedindo ajuda… estendendo as suas mãos Trémulas de sofrimento tal como rosas
Gente! (…) que não se importa nem ama glosas Nas quais lavro esses versos vividos e prosas
É assim o destino do poeta parir versos na dor… Sendo eles os meus filhos queridos
Ter as palavras na boca e assim fazer amor Rompendo as folhas alvas nascendo nervosas
De palavras mil desejos e versos absortos Escrevo essas ávidas palavras negras e desgostos
Mil beijos roubados amantinos perdidos nesses doces mimos Com sede de vida e sofrimento
Desejos desflorados que confesso e não regresso Bebendo elas esse meu sangue e morrendo
O mesmo sangue que me corre nas veias Tornando-se assim eternas e belas como teias…
Esplendor dessas quentes palavras que amo Palavras secas que estão vivas e não mortas
E as quais alimento com o meu sangue engravidando-as Nesse poema de esplendor absortas
Não desejando vê-las mais uma vez perenes… Palavras que o poeta sabe de cor por amor…
Saber o sabor dessas palavras bruxuleantes que Por serem parte de si surgindo na alma
Sequer brilho algum se lhes conhece mas sim Nascendo P’lo ventre tinteo da caneta
Que as trás ao mundo pela mão desse poeta Lavradas pela sua amada predilecta
Se materializam nesse «in scriptorium» Que é o útero muselino da sua criação
Deseja! Poeta e abre a tua alma ao mundo Nestes momentos sofridos P’los sentidos
É assim pelas palavras vividos pelas suas mãos paridos De mil versos ter na sua boca fellácia
Ter assim dentro do seu ser tal falácia ilusória e Saboreando-lhes os diversos sabores
dentro da alma ferrina essa artística mina…  Fecundando-as de sentimento e amores
Dentro do ser desse poeta no seu âmago mais profundo Nesse acto de amor vivido, atento…
Um segundo que condensa a eternidade o mundo Em que o poeta escreve d’amor e por amor
Astro Rei estro esse de esplendor partilhado Com a sua amada e companheira vivendo…
Que desejando pelo próprio desejo e morrendo Fazendo nascer palavras filhas do mundo
Flameja, saltitante essa chama que deseja nascendo Nesse berço da criação fecundo
É ter nas mãos fundas do poeta o mundo Que é a mente do poeta ideia funda e dor
Ter e saber de cor o sabor dessas palavras Que escreve em aflição e justa causa com ardor
Garras e ganas com que escreve os sentimentos Soltando gritos e escritos sentidos, sofridos
E urros, batalhas, guerras e murros… escrevendo Versos vividos… sofridos… paridos…
Asas que estende abertas protegendo a sua prole perdida Em orgásmicas palavras contidos
De parir versos assim tão facilmente sofridos Em lânguidos ais… suspiros… e gemidos…
Condor! (…)»1  que voa longe em voos sofridos Dando asas à imaginação P’los sentidos…      
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1 (Florbela Espanca, «Charneca em Flor», in «Poesia Completa»)
Miguel Silvestre

Valinhos - Alte 15/02/2013

«(…) SER POETA (…)» É: II




Ser maior do que o mundo como quem am(A) e sonha
Poeta é: quem sente como suas as dores do mundo també(M)aior
É ter no coração a mesma cham(A)berta no peito ardente
Ter ganas e garras, ardendo na loucura do amo(R) que queima
No peito ter uma espada cravada e no corpo cinco chagas (E) no peito
Coração de dragão e asas de condor e mãos que ama(M)aiores
O corpo da mulher amada ou imaginada com(O) mesmo leito
Mundo que brilha como uma estrela sola(R)enascendo da morte
Ter nas páginas brancas imaculadas o mesmo desejo e do(R)ainha
Nas feridas profundas cavadas cheias de verbos, palavras (E) saliva
Mãos gretadas pelo frio, pelo sentir, pelo desejo de amo(R)aiva esquiva
O mesmo ensejo de sorrir ao beijo que é oferecido de quem se am(A)
Sol que brilha… onde se refugiam os amantes (L)unares desejos cativos
Em dias escuros escondidos pelos muros desse além (É) ser dono do além
Chamas que queimam no desespero, (M)aior, profundo, inferno da alma
dos outros o desdém, a crítica, o olhar reprovador… inferno do mundo
Em nome de uma falsa moral e falso amor na manhã fria…                              

Miguel Silvestre

Loulé 28/01/2014

«TEU SORRISO... UM POEMA» - UM SORRISO SOLAR...




Um dia serei como toda a gente... gasto cansado... doente... Hoje criança, amanhã velho
Sorriso que aprendi passou de meus Pais para mim... Mas esse sorriso guardei
Inocente, desesperado, brilhante, sereno, amado, escondo Na minha boca a esperança
Esconde quem tem medo de perder, de ser julgado Pelo olhar dos outros o desdém
O amor doce me salvou, da tua boca esse mel... Na minha face a inocência
Meu amor, favo de mel... Da tua boca a candura... Na minha alma a pureza
Outro     dia se passou... passeando nessa praça... Na boca dos outros a infâmia
Ser diferente não é desgraça... É ser maior e aprender... Na alma de meus pais a certeza
De numa vida ter de sofrer... Tantas dores e incertezas... De uma vida sofrida
Um peito aberto que sangra... De palavras doloridas... De tanta incompreensão
Dia que passa dormente... Sangrando do coração... Que dessas bocas do mundo
Ser diferente é castigo... Para os que não compreendem e Nos fazem chorar de aflição
Criança ser é amor dar, foi essa a resposta que dei... Nas nossas preces o coração
E essa criança abracei... Criança sorriso e dor... Que chora lágrimas de sangue
No seu leito de amor... Na Fé de Cristo a esperança... Na nossa Fé o desespero
Outro sorriso de criança. De uma criança suplicante... De uma prece exangue
Renascer... mais uma vez... Depois da noite de tormenta... E da noite se fez dia...
Recolho-me com a alma vazia... Mas não deixo de olhar para a luz... Encontrei nela o conforto
Em momentos de aflição... Abro o meu coração e choro... Nessas orações de vigília
Fragmentos desesperados em pensamentos absorto rezando A esse Deus na cruz... que jaz morto
Esquizos pensamentos desesperados rogando ao Cristo crucificado... Mas eu sei que ele vive
E ponho-me novamente de pé... Gritando alto por ajuda... Nos corações na nossa Fé
Falo então dessa maneira, pois sei que serei escutado... Ponho-me então de pé e Grito:
Para quê tanto sofrimento? Porque tive este destino? - Porquê senhor? Porque YHWH?
Dentro de mim a resposta... Pois nestes momentos de aflição... Também carrego uma cruz
Da compaixão... Aprendo assim com meus filhos essa dor... Que pesa nos nossos ombros feridos
Alma pura dessas crianças que sorriem nesses momentos... Em que acordo à noite e choro
A Deus Pai que está no céu... Rogando a Deus que me ajude... No meio de gritos aflitos...
Minha cabeça rebenta, com esses desesperados gritos... Choro então em desespero
Cabeça quente de sofrer... E no seu leito sagrado deito-me Aos pés dessa minha criança               
É nesses momentos que vejo... a sua alma suplicante... Que grita nos pesadelos
O desespero... pedindo ajuda... Dessas memórias Que marcam a sua lembrança...
Mundo de bem e de mal... Desses outros fragmentos... De Lembrança de vidas e vidas
Que foram em sofrimento vividas, choradas, exaladas, Que se consumiram num segundo
Abriga então o nosso coração... Uma vontade de viver... Um grito que pede por ajuda
Os outros... palavras mudas... Em desespero de causa... Um grito de fome mudo...
Meus sorrisos, alimento, as minhas preces fragmentos, E assim se escorre o tempo
Sorrisos maravilhosos, momentos... Que pairam e dançam no ar... Em noites de vigília e preces
Dou-lhes a minha palavra... amar... São então esses momentos... São estes momentos sofridos
O que justifica o meu amor que lava da minha alma a dor...     Que quero esquecer mas não tento...
Meu fado é sofrimento... Os meus sonhos... pesadelos... Acordo então mais tarde e vejo
Olhar para dentro de mim... E então sorrindo vejo... Que um novo dia nasceu
Minha alma um desejo... Foi a paz que Deus me deu... Salto da cama...
Alma minha... Vejo a luz a nascer... Parece ser agora dia... E que vejo?
Minha boca aberta... Um filho meu... Uma criança a olhar para mim...
Boca sorrindo sem fim... Uma criança que acorda e diz a palavra amor... Um filho meu...
Dou-lhes então o meu olhar, as minhas mais bonitas preces... Um filho ou filha acordado
Sede de amar e ser amado... Que com esse sorriso Solar... Que me olha fixamente
De fazer um Pai e Mãe chorar, cheios de alegria e cor... Com um olhar sorridente
Amar pela alma da gente, sorrindo pelo coração... Que faz chorar de alegria
Abrigo-os nessa emoção... De calor, amor e fadiga... E recordo-me então dessa gente
Com filhos que sofrem também, Que rezam pelo amor... Que também vive como eu
A sua serenidade encontraram nesse amor divinal... Que bebe no sorriso dos filhos
Minha    esperança afinal... Esse sofrimento que interpreto... A cruz que Deus nos deu...
Roupa e agasalho é por nos fazer ser maiores... Mas se nada há sem sacrifício
Mas se tudo não são dores, se aprender é crescer... E sofrimento é valor
À minha sorte abandonado, choro mais uma vez de amor... Que dá mérito à alma
Noite escura que vai acabando... Essa tormenta terá fim... Quando se sofre de dor
Tenho então o amor... perto e dentro de mim... Olho para essas crianças
Frio no seu olhar sinto, mas os seus miminhos aquecem... E bebo delas os sorrisos
Temos então abrigo na boca, nesses sorrisos inocentes... Que são as suas esperanças
Sede de amor e amar... entre dentes... Que se perdem em meus juízos...
De querer dar e querer ser... Um Sol que brilha na hora... Nesse olhar... Penso que vejo agora
Carinho no meu coração, Onde o amor arde e revolve... E olha Essa estrela que brilha
Converso com Deus agora... E perco-me nesse corpo celeste... E que nesse céu chora
Com mil anjos resguardados... Que dançam com espadas flamejantes, Nessa chama que cintila
Eles que trazem as boas novas a essa Terra... Trémula, exuberante, que enamora
E que clama por ajuda... Peço a Deus que nos acuda... Numa oração Feita de mil cores de fogo
Choro lágrimas a rodos, que se transformam em pérolas... Brilhando nas profundezas cósmicas
À espera de se transformarem em estrelas... Desse Universo profundo
Espera um Arcanjo por mim... Nessa estrela sagrada Que é a casa de Deus
De todos os filhos seus, criados nesse fogo estelar, Onde nasce a nossa alma
Um plasma de energia e amor... Que salta do Sol para a terra... Feito Nessa fornalha Solar
Miminho que Deus fez nascer... Nesse mundo de almas e mar... Que nos transmite calor e calma...
O mar dessa estrela celestial, que nos faz compreender que Somos todos filhos de Deus...
Amor para dar e receber, são assim os filhos seus... Sem o Sol nada nasceria
Me aquece e dá abrigo... eu que julgava castigo... e afinal amor é... Pois o meu filho nasceu
Salvará pelo amor que sem ele não passará... Assim sei que o Sol brilha
E com ele Deus rejubila, dou-lhe graças, dou-lhe a minha paz... Com a bênção que Deus me deu
Com Ele esse filho meu que eu vejo agora renascido... Pois no sofrimento aprendi...
Ele que eu julgava perdido... sorri agora para mim... Aprendi a amar maior
Meus filhos me ensinaram... Eu que julgava a verdade saber... Eu que julgava que amava
Irmãos são todos os homens... É o que todos afirmam... Mas eram palavras de cor...
Poderemos amar então... dando sentido às palavras... Agora amar faz sentido
A minha paz encontrei... Na Fé caminho contigo... Eu que quis que meus filhos nascessem
Paz eu agora encontro... Nesse sorriso que não demora... E não me arrependo agora
Encontrar de encontrar esse caminho... Do amor... Dessa decisão tomar
Se alguns o não permitem... Se não deixarem viver... Alguns que vivem na dúvida
Dermos ordem para morres... E essas pequeninas almas... Perdidos na imensidão do mar
Todos Deus irá buscar para dentro de si... Do mar de palavras que escorrem
As dores dos outros sem fim... São os que não acreditam... De bocas vazias sem vida
Mãos gesticulando aflitas... Vem... Vem para mim... Esses Que não sabem sorrir
Eles que não conhecem compaixão... Pois amar já esqueceram... Pois não compreendem...
Precisam de viver mais uma vez... Para aprenderem a ser maiores... A diferença
De longe se vê... Quem não ama é cego... Quem cego ama... vê... Entre entregar e ser entrega
Amor que nasce no peito, amor que escorre no leito... A esse amor especial
E quem julga que morreu, descobre... que o amor vive afinal... Que um sorriso não nega
Eu que tenho para dar, qual o bem mais precioso, se não a palavra amar Em cada rosto inocente
Preciso desse sorriso olhar... que de uma criança diferente... Dessas crianças que entendem
De olhar na alma da gente... perscrutando o coração... Muito mais que toda a gente
Lhes conhecem o coração... E esses que tudo julgam saber... Essa Gente que se julga sábia
Dar-lhes o sarcasmo a conhecer do alto da sua incompreensão... Essa gente Inteligente e douta
No fundo ignorantes que julgam que o amor pode ser dissecado... Gente que chama aos outros
Meu deficiente mental... meu pequenino infeliz... meu anormal... Gente ignorante e louca...
Mundo este de incompreensão. Que não conhece o amor. Loucos são os que não compreendem
Minha razão de meus filhos... Que por amor desejados... Que ser diferente é ser assim
Cabeça essa vazia... que o amor não queria... por julgar que era fim... Um rosto de criança inocente
Um sorriso na sua boca... Uma cara angelical... Um menino ou menina Que olha e sorri para mim...
Lar esse minha cabeça na Fé a destreza. De amor encontrar assim. E é nesse sorriso que encontro
Para quem me ama julgar... Com o seu sorriso de criança dão-me Forças para continuar
Os outros que não compreendem que amar é ser assim E nas minhas preces encontro
Abrigar esse Benjamim... A paz... A esperança... A felicidade... A paz para me abrigar
E na esperança a verdade... De lhe dar uma vida um lar... Paz para comigo e para os outros
Juntos cresceremos maiores... Os outros esses são loucos... Não têm Paz interior afinal
Todos seremos poucos para essa verdade encararmos... Que me faz recordar a criança
Viveremos como irmãos... abraçando essa criança... Que fui em tempos outrora
Ultrapassando os meus medos e olhando o seu sorriso de Criança traquina e feliz
O seu olhar carinhoso, recorda-me quando também fui petiz... Recordo esses momentos agora
Sentimento doce e quente, que brota do coração... E no sorriso das crianças
De emoção faz chorar, lembrando esse sorriso, esse sorriso solar... Que é o melhor momento
Ser criança apenas, esses anjos brilhantes que fazem esquecer nossas penas e Esse sorriso é o Sol
Muita alegria de viver, hoje que o mundo abraço, Que brilha na alma da gente
Gente morena que abraço, nesse largo... largo abraço Tão doce, tão lindo e quente
Num desespero de enlace que nos dá vontade de viver e Que enche o nosso coração
de abraçar com o seu sorriso, eu que aprendo essa canção De amor e comoção
Corpo e alma, teu juízo... São assim como as crianças... Que nos faz enternecer
E nos risos as lembranças... De um Cristo, de Jesus... Desse sorriso quero beber
Beber para esquecer a minha cruz... E nesse amor desmedido... O amor dessas crianças
Esse momento vivido, que parte desse sorriso celestial... Que pelo olhar nos cativam
Momento de alegria divina... Que me serena e alenta... Que nos desejam... E pelo sorriso amam
De sofrimento nascidos... e o nosso clamor chamam... Aquecendo o nosso lar
Mais um dia passou, com eles eu quero brincar, um sorriso me enlevou, Com o seu sorriso Solar
Amor eu vou encontrar na boca dessas crianças... É esse amor que procuro
Precisar e receber, para depois partilhar, dar a outros antes de ter... Tão alvo, sereno e puro
Eu que havia esquecido... É esse amor que eu digo... Tão doce, tão meigo, tão quente
Que alegra o coração da gente, que adormece a loucura... Que fazem esquecer na gente
Agora o meu coração é ternura... E assim vai mais um dia... E Todo o sofrimento vivido
Sorrio agora contente, aprendendo com esses anjos que do Ouvido da boca dos outros
Quando são os mal-amados... que não compreendem o amor... Que não conhecem a verdade     
Me injuriam pecados... sempre... sempre infundados... Que não reconhecem inocentes
Apetecia entre dentes pagar-lhes na mesma moeda... Por não amarem de verdade
Chorar fazem sem pena, pelas penas do inferno... juro... O amor é ele entrega
Lágrimas sentidas eu juro, dessas pérolas amealhadas... É dar sem esperar receber
Sentidas nessas fiadas... De dores sofridas em sangue... E noites mal dormidas É sacrifício e serena
A minha e a sua sina... Hoje sou feliz amanhã triste... E este meu sangue Quem dele quiser beber
Fio a fio escorre exangue, até não ter mais do que beber... O amor é também alimento
Mas o corpo de Cristo sagrado, dá a vida eterna e amor... É carinho e protecção
Não deixa morrer na dor, quem lhe pede em aflição... É fogo na alma da gente
Deixo-me assim adormecer, nesse leito de cama quente... Que aquece o coração
Morrer na cruz em desespero... foi esse o destino do salvador... É esperança
A sua alma, do seu sangue sua água... sorri agora liberto dos pecados dos outros... É sorriso
Esperança e fome de que deseja a salvação... É o riso de uma criança
De vida ou morte ou esperança dessa outra vã... É uma vida que escolhe É um olhar terno de manhã
Um menino ou menina, criança apenas... ardina... O amor é uma criança
Dia após dia que aquece, que nos embala e adormece... Que nos chama papá e mamã
Os sorrisos são miminhos... que nos fazem crescer... É um pedido de ajuda
Deixar sorrir e correr... correr nas nossas memórias... E posso defini-lo assim:
- Partir para longe em busca do significado do amor  «Ainda que eu fale as línguas dos homens
Eu que o mundo percorri... sofri mil golpes de morte... essa foi a minha sorte... e dos anjos,
Que me protegeram... aprendi uma grande lição... amor é também perdão... pois se não tiver amor,
Choro     sem rumo nem norte, abandonado à minha sorte... sou como um bronze que soa
No fundo de alma vazia... na rua escura, dormente e fria... ou um címbalo que retine.
Desejo de perdoar a quem me vier consultar... Ainda que eu tenha o dom da profecia
De todos esses saberes, mesmo que eu tenha a verdade e conheça todos os mistérios
Todos os recantos do mundo, guardados no poço fundo e toda a ciência,
Eles não me salvarão... mesmo que eu seja crente... ainda que eu tenha tão grande fé
Ver o mundo de frente... percorrendo todos os caminhos, mesmo que transporte montanhas,
Sorrir é a minha salvação, pois nessa alma profunda... se não tiver amor, nada sou.
Hoje sou palavra nua... E na verdade vos digo... Ainda que eu distribua todos os meus bens
Sou uma alma vazia sem amor... mesmo que dê e entregue o meu corpo para ser queimado
Sol da manhã serei se amar... se não tiver amor, de nada me aproveita.
Amanhã será um novo dia... O amor me salvará... O amor é paciente, o amor é prestável,
Lua essa que alumia à noite o viajante que não é invejoso, não é arrogante
Depois da caminhada... tendo ao pé um companheiro nem orgulhoso, nada faz de inconveniente,
Planeta esse a morada, do amor de Deus essa fada que não procura o seu próprio interesse
Estrela que brilha enamorada de amor verdadeiro que não se irrita nem guarda ressentimento.
E por esse céu resguardada... mas cega de juventude... que Não se alegra com a injustiça,
Céu esse que é minha casa da qual tenho eterna saudade       mas rejubila com a verdade.
Hoje sou Sol, amanhã lua, hoje ele é menino Deus... que Tudo desculpa, tudo crê,
Sou esperança, vida sua... que tudo olha, tudo vê... tudo espera, tudo suporta. (...)»[1]
Sorriso largo na manhã crua... que aquece o frio da manhã... E sempre que me lembro disto
Amanhã rezo depois, por palavras sentidas... Olho para essas crianças à minha porta
Rua de esperanças comovidas... Vividas... Banhado num mar de lágrimas de amor
Menino ou menina... crianças... Olho para elas e vejo esse sorriso melódico
Ou simplesmente a luz do Sol... Que me abre a alma ao mundo
Menina ou menino sorrindo alegremente... E nesse sentimento de dádiva profundo
Hoje descobri a mais maravilhosa verdade... que Retribuo com o meu olhar
Sou criança... dono do mundo... dono do Sol e da lua... E bebo deles esse sorriso...
EU...  que aprendi de novo a palavra amar... Escrita na boca das crianças... O seu sorriso Solar...

Miguel Silvestre
Valinhos – Alte 07/11/2010
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[1] 1ª Carta aos Coríntios – Cântico do amor – 13, 1-7